Óscares 2025: “Hollywood sempre olhou para as trabalhadoras do sexo com preconceito”, o favorito Sean Baker em longa entrevista
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Sean Baker pode vencer, no próximo domingo, os óscares de Melhor Filme e Melhor Realização por “Anora”. Conversámos com o cineasta sobre uma filmografia que gira em torno de trabalhadores do sexo e que chega às margens da sociedade dos Estados Unidos
Entrevista publicada originalmente a 14 de outubro de 2024
Chama-se “Anora” o novo filme de Sean Baker, e é esse o nome da protagonista, a quem todos tratam por Ani (Mikey Madison, fabulosa), uma stripper de Nova Iorque num clube para clientela seleta. Certa noite, Ivan, de 21 anos (Mark Eidelshtein), cara e corpo de menino ainda, cai de quatro pela bailarina, dois anos mais velha, que o leva para a cabine privada. Ivan está a passar uma temporada de farra num inverno solitário em Brooklyn. É filho único de um oligarca russo que não sabe o que fazer ao dinheiro. Convida Ani a visitá-lo em sua casa — que é de arromba. Em vésperas de Ano Novo, contrata os serviços dela uma semana inteira. Sexo, drogas, festas sem freio... Até que a leva para Las Vegas e casam, porque sim, porque lhes apetece — está o caldo entornado. Mas este não é o caso da moça sabichona a enganar o sortudo imberbe. Nada disso. É claro que ela é muito mais madura que ele, mas as personagens são como duas crianças num conto de fadas. Ou uma fantasia de “Pretty Woman” virada do avesso. Nisto, um trio de ‘estarolas’, liderado por um sacerdote arménio que é pau para todo o serviço (Toros/Karren Karagulian), entra em jogo com um potencial incrível de comédia para salvar o ‘menino’ — os homens são serviçais dos pais oligarcas de Moscovo, que entretanto se metem a caminho da América para desfazer a boda e resgatar o herdeiro (a criação do filme é anterior à Guerra da Ucrânia, que o filme jamais menciona). Neste trio incrível conhecemos também o espalhafatoso Garnick (Vache Tovmasyan) e o introvertido Igor (Yuri “Yura” Borisov, ator em “Compartimento nº 6”), que terão no desfecho uma capital importância. Ani, que num ápice conquistou todos os seus sonhos e está prestes a voltar à estaca zero, bate-se pelos seus direitos. A comédia está lançada — será mesmo uma comédia?
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